
* São Sebastião, o santo de toda gente!
Arte, Cultura e História
São Sebastião, o santo que comemoramos em 20 de janeiro, é realmente o santo de toda gente. Sua história, bela e comovente, vamos contar a seguir:
Antigo mártir da Igreja Católica Apostólica Romana, viveu em Roma no século III, e foi sacrificado em 20 de janeiro do ano de 288 por ter-se convertido ao Cristianismo. Nasceu em Narbona, cidade da França, educou-se em Milão e, depois, transferiu-se para Roma em definitivo.
Dentre as pessoas que converteu, inúmeras, aliás, conta-se o prefeito da Cidade Eterna, o qual se tornou seu irmão em Cristo.
Alcançou o posto de oficial da guarda palaciana dos imperadores Deocleciano e Maximiano. Praticava a virtude e a fé em grau heróico, daí ser chamado de Defensor da Igreja. Condoía-se dos pobres e desvalidos, aos quais assistia tanto material como espiritualmente. Como praticava a religião em segredo, foi, porém, descoberto e denunciado ao imperador, que tentou demovê-lo de sua crença. Manteve-se firme em seus princípios até o fim, dando aos contemporâneos e à posteridade um exemplo comovente de amor cristão, digno mesmo de ser imitado.
O imperador, encolerizado, mandou que o amarrassem a uma árvore e o crivassem de flechas por seus arqueiros. Crendo que estivesse morto, seus algozes foram embora. Mas uma viúva idosa, de nome Irene, que por ali passava, levou-o para casa e socorreu-o até que ele se curasse dos ferimentos. Sebastião voltou a Roma para censurar o imperador que só praticava maldades e injustiças. Entretanto foi reconhecido pelos esbirros e morto a pauladas no Circo Romano.(Vide pintura no teto da Igreja Matriz de Andradas, de rara beleza, feita por José Perez de Morais, entre 1975/76.) Consoante Juan F. Roig, nas representações do 1º milênio, o santo veste farda de soldado. No estilo gótico (gênero artístico que floresceu na Europa do século XII ao Renascimento), é representado vestido de malha e armadura, às vezes com barba, e no Renascimento com o seu uniforme militar no estilo romano. Pouco a pouco, ele foi sendo apresentado desnudo.
Há, também, pinturas antigas, nas quais ele apareceu com uma coroa de flores.
Significa, portanto, “aquele que conquistou a glória eterna”. A árvore é o símbolo do ciclo universal (ressurreição). Evoca, também, a famosa escada de jacó, que conduzia os anjos da terra ao céu, lembrando a salvação da alma. (Vide Gênese, capítulo 28, versículos de 10 a 22).
Seu nome, em latim, é SEBASTIANUS, originários de SEQUENS (seguinte), BEATITUTO (felicidade), ASTINS (cidade) e ANA ( acima).
Portanto, “aquele que conquistou a glória eterna”. “Por alguns, é chamado, ainda, de “o perfeito soldado de Jesus Cristo”. (Vide Santiago de La Vorágine).
São Sebastião protege contra a fome, a peste e a guerra. É padroeiro dos militares, dos armeiros, dos comerciantes de ferragens e dos alfaiates. Patrono, também, do Rio de Janeiro ( e de Andradas) . Foi protetor espiritual – religioso da expedição militar de Estácio de Sá quando da conquista da Baía de Guanabara, sessenta e cinco anos depois da descoberta do Brasil, ou seja, em 20 de janeiro de 1565. Eis, porque, o nome primitivo da antiga Capital Federal era o de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Consoante uma antiga crença, em algumas partes de Minas Gerais ele é considerado protetor dos agricultores, das plantações, dos animais, particularmente do gado. Em seu dia, leilões beneficentes de garrotes são realizados. Tornaram-se famosos os de Andradas, em prol do Asilo São Vicente de Paulo. (Aqui entra o Tinto, que tanto vem trabalhando, com dedicação, pelos nossos asilados. Nota 10, Tinto!)
Quanto às imagens do santo, é importante mencionarmos a evolução de suas formas, quer brasileiras como portuguesas, no período colonial. Já na pintura, a que mais nos toca é aquela na qual ele é atingido por três flechas: uma no ombro esquerdo, uma no ventre e uma na coxa direita. A sua frente, no chão, vemos uma que não atingiu o alvo. No fundo, há, ainda, uma paisagem indefinida, lembrando um caminho. Seria o caminho para Deus? Quanta simbologia vamos encontrar nessas representações !
Foi pensando nesse querido orago, tão decantado pelo povo na sua fé singela e firme, que compusemos esta quadrinha, na quietude da Igreja –Matriz de São Sebastião local:
“Ó meu santo guardador,
conduzi-me sempre à cruz,
fortalecei minha fé,
aos pés de Cristo Jesus!”
*Sebastião Roberto de Campos é escritor e historiador andradensese